Narciso
Narciso, segundo a mitologia
grega, era um jovem dotado de extrema beleza. Era filho do deus-rio Cephisus e
da ninfa Liriope. Quando nasceu, seus pais consultaram um adivinho, que lhes
disse que o filho viveria muito, desde que nunca contemplasse a própria imagem.
Num dia de muito calor, cansado, Narciso se inclinou sobre as águas cristalinas
de um lago e, nesse momento, contemplou seu rosto refletido na água. Pensou que
se tratava de algum espírito das águas e o achou tão belo, que se enamorou e
não conseguiu interromper aquela contemplação. Ali ficou até morrer, e no lugar
em que se achava brotou uma planta cuja flor foi chamada de narciso.
O Mito Eros e Psiquê
A lenda de Eros e
Psiquê é uma das mais conhecidas da
mitologia grega. Além de sua beleza e encantamento nos traz profundo entendimento
sobre acontecimentos, sentimentos e fatos que ocorrem na vida dos seres
humanos. Conta a lenda que Psiquê (alma),
bela mortal por quem Eros (deus do amor, filho
de Afrodite - deusa do amor e da sedução) se apaixonou. Psiquê era tão bela
que sua beleza irritou Afrodite (uma
imortal, mãe de Eros) , dona de rara beleza. O mito de Eros (deus do amor) e Psiquê ( alma)
retrata a união entre o amor e a alma.
Eros e Psiquê
Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe, o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino_
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Obra poética.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987. p.115.


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